Comorbidade Poética – Parte II


A cada dia que se passa, escrevo a dor de um poeta,
Seja bem-vindo à 2ª parte da Comorbidade Poética.
Aqui não tem luz, não tem Deus e muito menos festa,
Só demônios e escuridão que querem te ver cair por terra.

Fisicamente eu tô bem, mentalmente não,
Minha mente está mórbida, andando na contramão.
Tem vulto no espelho e grito dentro da razão,
E um poeta morrendo em cada estrofe da maldição.

Tô cansado de terapia que não entende minha dor,
De gente que abraça com pena, mas fede a pavor.
Meu caos não cabe em remédio ou oração,
Cabe em punho cerrado e na próxima autodestruição.

Cada palavra que escrevo é vômito lírico,
Uma ânsia sentimental, um ato suicídico.
Escrevo pra não matar, mas também pra matar,
Porque tem hora que ou você sangra, ou você irá sangrar.

Não tenho paz, tenho lapsos e surtos,
Tenho rimas que escorrem dos cantos imundos.
Aqui o amor é um disfarce de corte profundo,
E quem tentar me salvar vai se afundar junto.

Essa é a segunda dose da peste que carrego,
Um poema-doença que te dilacera em ego.
Bem-vindo ao hospício em forma de poesia,
Onde todo afeto é infecção e cada rima, uma eulogia.


Malrick Versávio, O Poeta do Rancor.
“Malrick Versávio Depois do Caos”

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