Minha caneta é uma praga que infesta,
Seja bem-vindo à comorbidade poética.
Cada verso carrega uma dor indigesta,
Cada rima é uma febre sintomática nessa merda.
Escrevo com o sangue que me resta,
Com as tripas da alma encharcada.
Não há cura pra essa merda de festa
Chamada vida mal vivida e mal amada.
Meu afeto foi doente desde o berço,
Cresceu com infecção no coração.
Tudo que senti virou subverso,
Pus lírico em forma de maldição.
Minhas palavras têm cheiro de morgue,
São cadáveres rimando em linha reta.
Toda emoção em mim virou distorcida,
Um delírio que sangra e se projeta.
A poesia aqui não consola ninguém,
Ela morde, contamina, arranca a pele.
E cada linha que deixo no papel
É só mais um surto que nunca se repele.
Se a arte é remédio, eu sou overdose.
Se o amor é bênção, eu sou a heresia.
Minha caneta fede a carne e morte…
E ainda assim, chamam isso de poesia.
Malrick Versávio
